O vento veio e falou comigo

O vento veio e falou comigo
maio 13, 2026 zweiarts

O vento veio e falou comigo

Curadoria: Claudio Bull

O vento veio e falou comigo

Abertura: 9 de maio de 2026, das 16h às 20h
Período expositivo: 12 a 30 de maio
Visitação: terça a sábado, das 14h às 18h

Artista:
Daniel Mira

Rua Califórnia, 706 – Brooklin/SP
Entrada Gratuita

A exposição “O vento veio e falou comigo” revela o deságue de um percurso iniciado há mais de oito anos na Flona Tapajós. Mais do que um recorte geográfico, a mostra e o livro homônimo materializam uma pesquisa onde o fenômeno do vento atua como o elemento primordial que atravessa a pintura, o desenho, objetos e a cianotipia.

Apoiada na distinção entre a poética da recepção e a poética do fazer, esta primeira individual de Daniel Mira formaliza uma investigação na qual a experiência na floresta não é tratada como pauta de mercado, mas como um território de formas biomórficas e linhas curvas que ecoam o curso dos rios e a organicidade da vida.
Neste percurso, a materialidade assume um papel central através de pigmentos botânicos de anileira que oxidam e se transformam, desafiando a imobilidade do sistema de arte tradicional. Se a busca de Yves Klein residia na imutabilidade do “azul absoluto”, Mira abraça a finitude e a mutação da natureza, revelando uma “epifania cromática” que respira e envelhece.

O azul de Mira deixa de ser estático para se tornar um registro de forças invisíveis — como o próprio vento — que moldam os suportes e convertem o erro e a experimentação em uma objetividade madura, onde a arte se funde com a biografia do artista e sua vivência no território.

Por fim, a obra estabelece um diálogo vital entre a Amazônia e o ecótono do Cerrado. Compreendido como o solo ancestral que provê a vida, o Cerrado surge nesta narrativa não como um fim, mas como uma zona de vizinhança e provocação que sustenta a floresta. O trabalho compartilhado com diversos colaboradores reforça que a criação contemporânea é uma rede de saberes técnicos e afetivos. Ao consagrar o território como um espaço sagrado e vibrante, Mira encerra este ciclo apontando para novos fluxos, onde a força telúrica do Cerrado se prepara para assumir o centro das próximas investigações.

Cláudio Bull, outono 2026